-Oi! Você aqui?
-Pois é.
-Há quanto tempo está aqui?
-Desde sempre.
-Você não mudou nada.
-Já você está tão diferente.
-Não muito.
-É... talvez. Faz tempo que não conversamos direito.Você nem me fala mais da sua vida!
-‘Tá um pouco mudada agora.
-Isso não é desculpa depois de tudo que passamos.
-Desculpe, tenho andado distraída.
-Continua aquela garota cheia de ideologias?
-Não é a mesma coisa.
-Eles te cobram, não é? Lembra dos velhos tempos?
-Eu preciso me ajustar, não posso ficar vivendo do passado.
-Mas, se você pudesse voltar atrás, voltaria?
-Não sei, é complicado...
-E continua indecisa, pelo jeito não mudou tanto assim.
-Não enche!
-E anda meio estressadinha, justo você que era tão calma.
-E você tão inocente, me lembro desse tempo...
(Pausa)
-Eu também não tenho te dado muita atenção e...
-Não, o problema não é com você, é comigo.
-Por que mesmo que a gente deu um tempo?
-Eu precisava me ajustar na minha vida nova, conhecer gente nova, lugares novos, enfrentar novos desafios...
-Você tem vergonha de mim, não é?
-Não é isso. Eu precisava me encontrar.
-E gostou do que achou?
-Apenas descobri o quão efêmera a vida é.
-Depende da vida; e não estou falando de idade.
(Pausa)
-Senti sua falta. Achava que tinha te perdido.
-Relaxe, no fundo, eu sempre vou estar contigo mesmo você sendo meio egocêntrica e mimada.
-Quem é você p'ra falar isso?
-Eu sou você.
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