quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Sentido horário da acefalia de um movimento circular uniforme

Eis o caminho!
Oh, que sei eu a respeito
de caminhos e estradas?
Carrego o pesar de ficar em estática
enquanto o mundo roda e roça
coisas ao redor de mim

As empurra e as arrasta
como ondas que puxam oferendas para o mar
antes de serem engolidas
por alguma divindade maldosa
que devora almas para se manter vida
e as tempera com fé previamente banhadas em medo
Antes mesmo disso, acabariam digeridas
em estômagos de ferozes criaturas
num fundo de escuridão, (Ou não?)
comendo os dejetos da superfície
(Que sabem os de cima sobre os que ficam embaixo?)
(O que poderia opinar o pirulito sobre o palito?)

Não. O não-movimento é a força absoluta.
Do outro lado da parede
há um muro
E nenhuma janela.
Se antes houvesse uma pequena
caverna subterrânea
onde cabeças e a almas se perdessem
a fim de explorar o que há
do outro lado da muralha
- Dar um tapa na cara do desconhecido -
(Sua mãe deve estar preocupada)
- Abra a boquinha, Não vai doer nada! -
Seu intestino trabalha como um operário
em uma mira de carvão
Se encontrasse algum ouro
seria bom.
- Mas seria ele infinito? -
Quem dera poder quebrar um relógio
e com seus ponteiros
cavar um buraco
mesmo que não largo o bastante
para uma passagem,
que, ao menos, tivesse
uma luz da superfície.
Naquela telinha passa
todo o cotidiano falível
em ritmo perfeito
e overdose de cores
- Malditas cores, cegam os olhos -
Uma hora alguém aperta o botão
e a terra desaba
levando tudo consigo

Ei, imagens! Onde estão?
Logo ali estava...
Onde fica o banheiro?
Eu jurava que era logo ali.
Sim, é logo ali.
O que eu vim fazer aqui mesmo?
Há um ventilador no outro cômodo
Você sabe quem sou?

Em verdade, eu vos digo:
Um sofá tem mais mobilidade que um míssil.
Não me venha com palavras impossíveis
O impossível é impossível outra vez.
Eis o mistério da fé!
Mo-bí-li-a
Amém!

De onde vêm todas essas cores?
E essa marca roxa logo ali na curva
Bem ali. Ai!
Posso ouvir as vozes
mas não ver suas fontes
Como as portas que batem
e as sombras que partem
só restam os lençóis
ao sol, pendurados no varal
Ora! Hora serão recolhidos
ou levados pelo vento
Ponto.

Tinha uma abelhinha do outro lado
da roleta
a bolinha tinha acabado de cair nela
Eu ainda tenho que te dizer
tem uma coisa pra te dizer
(Já disse?)
Se disser mais uma vez
desta vez
seria diferente
- Fique uma rodada sem jogar -
Câmbio, desligo.

Marteladas registram o caminho
do que foi ontem
o ninho não foi achado
O ponto de partida
foi engolido pelo caminho
e quanto ao de chegada...
Mas uma jogada perdida.
Travesseiros amenizam o peso sustentado pela cama
Gira, Ventilador, Gira!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A veia e a Agulha

De uma envelhecida fotografia

as cores escorrem pelas bordas

Só resta o vermelho que um dia

coloriu essa cena morta


Uma seringa com um puxão

Não se trata de medo da dor

mas de trauma da perfuração

De hospital à show de horror


Enfermeira, me traga um sedativo

Só mais uma picada

pra saber se ainda vivo


Na última dose faço uma inversão

de sangue não me resta nada

vou bombear lágrimas para o coração

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Coloquei um anúncio no jornal

todos vieram ver

uns de carro

uns de ônibus

uns de biclicleta

uns de avião

uns de jegue

uns nem sei não

de que vieram

mas assim se propuseram


o anúncio não tinha hora

nem lugar

e todos seguiam

tateando no escuro

pelo centro

lento

ao som do vento

local

só não mais boçal

do que quem

veio a publicar


Avise a todos

a Ana

a Lana

a mana encima da cama

a Fulana, a Ciclana, a Xantana

a Tana

que come banana

e a Leia

que não rima

mas prefiro esse imã

antes que eu mude de idéia