domingo, 21 de setembro de 2008

À deriva

E quando a água está gasta
O tempo parou de funcionar
Ninguém sai de sua casta
Nada sai do lugar
O bastante já não basta
Não adianta rezar

Os primeiros inconformados
Em silêncio a gritar
Correm de pés atados
Sonhos a queimar
Exército de robôs armados
Meu Deus! Onde vão parar

Se esconder não mais importa
O futuro já não se faz agora
Quando a realidade bater à sua porta
Mande marcar hora

domingo, 14 de setembro de 2008

Yannarando

Amanhã, Yan
A manhã, Yan
A manhã yan
A Mayannhã
Yanmanhã
Yan manhã
Y an manhã
Yannma
Yannhã
Yan, hã?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Constância

Tic, Tac...

"Será que falta muito para acabar?"

Tap, Tap, Tap...

Batendo o pé impacientemente no chão.

"Esses sapatos são bonitos."

Crec, Crec, Crec...

Estralando os dedos.

"Nem está tão frio assim, por que estou de casaco?Aliás, porque tenho casaco?Um presente da mãe.É feio.Mas pelo menos confortável.É assim que me parece.Não! Não fui com a cara dele desde o primeiro minuto.Por que eu não disse nada?Não queria que parecesse descaso da minha parte.Se não gostei porque ainda estou usando?Melhor tirá-lo.O zíper prendeu.Ótimo.Presa em um casaco o qual nunca fui com cara.É bem motivo de estar com defeito é "veeelho".Tadinho.E não combina com os sapatos.Por que o coloquei mesmo? Estava ali perto e estava escuro para procurar outro.Desculpa!Puro costume mesmo.Ele já tem meu cheiro, meu formato, meu carma.Nem serve direito.As mangas estão curtas."

O casaco continua lá.

-Hei, o que acha desse casaco?

-A sua cara.

"Seria esse o motivo de tê-lo enjoado de repente?Apenas me cansei do casaco porque me cansei de quem o usa?Está quase abrindo.Oh, zíper irritante!Enjoei o zíper também.Convivo com esse zíper há tempo demais para ele me deixar na mão justo agora."

"Acabou!Já posso sair."

O casaco continua lá.

"Vou tentar resolver isso no caminho.Alias, que bons sapatos de caminhada.Mais alguns meses e enjoaria dos sapatos também.Perderiam toda a praticidade, conforto e beleza.Só lhes sobraria a Constância.A estática constância da mudança.Pedra e vento.Praia e rio.Pessoa e multidão.Pecado e redenção.Passos e destino.Permanência e volatilidade.Panico e ..."

"Consegui!"

"Finalmente depois de muito tempo, muita luta e muita insistência, abri o maldito.Volto a seguir a rota.O casaco continua lá.Desta vez, com o zíper aberto.Um casaco feio, curto, velho e que não combina com os sapatos.Nunca foi com a cara dele mesmo.Que me impede agora de tira-lo?"

-"Paradae", moça!Isso aqui é um assalto!Passa a bolsa!

-Por favor, você poderia levar esse casaco também?