Essa é a sensação esquisita de voltar para casa? Não sei se posso chamar isso muito bem de casa, afinal morrei aqui por 1 ano e meio, e com muito orgulho posso dizer que... sobrevivi!
A Cidade das Peculiaridades, um lugar perdido no meio do nada, quase que pede para ser encontrado, para, em seguida, ser perdido novamente.
Você conhece alguém que ama Brasília? Que odeia? Que sente os dois? Eis o lugar o qual não atrai um único sentimento, não se ama, não se odeia, se acostuma. Se vive, se vai, se volta, mas não se esquece.
Admito! Existe gosto pra tudo. Então, por mais estranho que possa parecer, existe gente que realmente ama esse lugar, ou revoltosos que, de fato, odeiam. Ao amor ou ao ódio, mas nunca à indiferença.
Abram as portas porque você está entrando num lugar além da imaginação. Onde o cientista maluco que trás da invenção vem saúda-los na entrada exibindo seu grande sorriso de pedra.
Contudo, por mais que aquela sensação de estar presa num labirinto simetricamente construído, ela tem seus momentos...
Observar o céu de dentro dum grande circular que corta cirurgicamente a W3. Todas aquelas pessoas passando nervosas e com cara de que não tem idéia de para aonde vão sendo observadas ao balanço do busão... um riso ou outro se perde no barulho. E se divertir ao chegar à rodoviária; nas palavras do poeta brasiliense, Nicolas Behr, maior centro de lazer da cidade.
Ainda não achei uma explicação pr’aquele sentimento de nostalgia (dá pra chamá-lo assim?). A maioria vai à Brasília em busca de algo, de emprego, de oportunidade, de aventura... me incluo nesse grupo. Ironicamente, quanto aos resultados, pertenço a minoria menos favorecida em que a cidade não deu nada do que pedi... mas tudo que precisava.
Oh, lugarzinho dos infernos!