sexta-feira, 8 de julho de 2011

Prólogo

É um dia de sol, tudo parece tranqüilo e pacato na cidade. As nuvens se movem na direção do vento, pessoas pegam ônibus, os carros passam, o sol vai se pondo por entre as nuvens.

Uma mãe está no shopping, seu filho de aproximadamente seis anos segura sua mão. A mãe olha vitrines de roupa, porém o garoto olha em direção oposta procurando algo de seu interesse. Seu rosto esboça um sorriso e ele se distancia e corre para uma loja de brinquedos.

Dentro da loja, o garoto corre por corredores e mexe em diversos brinquedos, passa perpendicular a outro corredor, mas volta com olhar fixo e curioso. Ele pára à frente de um ursinho de pelúcia e aperta sua barriga. O garoto se assusta ao vê-lo mexer. Ele vê uma figura de ação e a toma nas mãos e brinca fazendo o boneco “voar” em suas mãos. A mãe surge logo atrás falando no telefone, toma o brinquedo das mãos do menino e paga por ele no caixa, lhe entrega e aponta para que o garoto saia, tudo sem parar de falar ao telefone.

Ambos saem da loja e caminham pelo pátio, a mãe pega a mão do menino com força e o faz segurar suas vestes. Ela continua a discutir no telefone, agora aumentando o tom da voz e gesticulando irritada com a pessoa à linha. Sem que a mãe perceba, o garoto foge e caminha perdido pelo pátio do shopping ainda carregando seu brinquedo. Anda até uma beirada de sacada que mostra o pátio e os pisos inferiores. Ele se segura no parapeito e sobe com esforço.

De cima, observa as pessoas passando quatro andares abaixo. Tem a impressão de que vai cair e abre as mãos para se equilibrar. Continua olhando intrigado, estica o pé e faz menção de pular quando é abordado pelo segurança que o segura com as mãos nos ombros. O segurança interroga o menino sobre o que faz ali e onde está sua mãe. O garoto fica estático com cara de choro, o segurança aumenta o tom de voz perguntando onde está sua mãe.

Ao fundo ouvem um baque e um berro; todos, incluindo a mãe do menino, olham assustados. O segurança saca seu walktalk e pede reforços, sai correndo abandonado completamente o menino que olha para baixo e vê uma multidão ao redor do corpo de uma mulher. O corpo está destroçado e escorrendo sangue, o garoto se assusta e afasta deixando cair seu boneco no meio da multidão.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vozes

De um convite inusitado
Viajar já foi mais fácil
Porque ao ser convidado
Nunca se sabe o que se vai encontrar

Da janela de casa não se ouvem as diferentes tonalidades
Dos agudos aos graves
Nem veem
As palmas pulsam ao comando da luz

O mundo pode acabar
Que a melodia continua
Sincronizando
Sorrindo
Sangrando
Sol

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Antes uma canção

Na minha pia jás um prato
perdido no tempo e no espaço
Já não como
só me alimento do escasso

Na minha cama mora um buraco
abandonado pelo oco
Já não durmo
me deito em cansaço

Na minha rua andam estranhos
me olham com arreganho
Já não saio
apodreço em fracasso

Na minha casa não entra vida
só uma partida
Já não vivo
meu escárnio, pedaço