sábado, 24 de outubro de 2009

Quantas cores cabem numa lembrança?

O sol sempre me intrigou. Não sei bem porquê. Acho que porque desde que nem entendo por gente me mandam tomar cuidado e não olhar diretamente para ele. Um pena. Ele talvez seja um dos maiores pintores que já existiu e sua imagem é sempre lembrada pelos quadros que pinta, mas nunca um autoretrato.

Nessas tardes entediantes, trancada num quarto miniatura, que lhe recai essa votande de ficar olhando o sol ou tudo que ele toca. To o mundo cabível em uma janela 90 x 85 do quarto andar. Onde exatamente se divide um ruído de uma melodia? Ou um rabisco de um desenho? Prédios, pessoas, cores, sons... Na mais perfeita harmonia.

O tempo não é preciso. Lembro de julhos em Goiânia no prédio da tia, onde era rotina subir escorregadores com as mãozinhas suadas - tremendo pra não cair- , torcendo para chegar lá em cima e poder ver o “mundaréu” de prédios, pessoas, carros e ruídos. Um turbilhão de cores passando num piscar de olhos. Era tudo tão grande para olhos tão pequenos.

Here comes the sun...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Manuscrito

Eis que, quarto se torna pequeno para angústia.

Tempo de vida pequeno para tantas ambições.

Auto-estima pequena para qualquer coisa.

Papel pequeno para grafite.


Horas gigantes

para não conseguir dormir