quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

E quando você acordar, eles ainda estarão lá

Tudo parece tão calmo

Como se algo muito ruim tivesse acontecido

Tranquilidade comprimida

em duas cápsulas e um copo d'agua

O resto pode esperar até amanhã

É apenas mais um dia de incertezas

em que o cansaço carrega

Insólitas e solitárias formas

Eles te farão companhia essa noite.


Eles estão em toda parte

Eles estão em toda parte


O nascimento do círculo brilhante

e o aborto de cada alma

Movidas a xícaras e xícaras de petróleo

Seria uma boa chance

para mudar...

Se eles não estivessem por perto.


Mas esqueça tudo isso,

Vá dormir agora!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Borda de catupiry e mostarda

- Este lugar é perfeito!
Sentam-se.
- E, então, quais as novidades?
- Nenhuma grande, estou continuando a faculdade...
- Não reprovou em nada, né?
- Não, eu...
- Que bom, Meu pai sempre dizia “Se você quer ser alguém na vida tem que estudar e trabalhar duro”.
- Estudou estudando duro...
- Muito bom, sou professor, você se lembra. E não tem nada que odeio mais que aluno relapso.
- Não sou desse tipo.
- É Federal sua faculdade, né?
- Estadual. De Artes.
- Meu pai sempre dizia “Faça o que fizer seja bom naquilo que faz”.
- É o que espero.
Silêncio.
- Vou pedir pizza com borda recheiada de catupiry.
- Tudo bem.
- Ou preferia outra?
- Na verdade. Eu não gosto muito de borda recheada... mas se quiser pode pedir.
- Não!?
- Nunca fui muito fã de catupiry.
- Entendo...
Silêncio.
- Ainda faz aulas de inglês?
- Não, terminei o curso. Estou tentando um bico de professora agora.
- Guardei uma revista em inglês para você, peguei no avião.
- Hã... Valeu.
A Pizza chega.
- Não troxeram a mostarda.
- Garçon!
- Você volta no feriado?
- Provavelmente, não. Vou estar fazendo cirurgia nessa época, minha ti...
- Cirurgia de quê?
- Nada muito sério... Um probleminha genético...
- A sua mãe tem?
- Não.
- Entendo... Pizza boa, não?
O Garçon traz a conta.
- Deixa que eu pago. E a sua mãe como vai?
- Ela tá em três empregos, correndo muito...
- Sei como é...
- Talvez, largue um deles.
- Sim, o stress.
- Precisa de ajuda para pagar o aluguel, gasolina, alimentação, coisas assim... Estava pensando se o senhor...
- Me chame de você.
- Se você não poderia ajudar... Dar uma parte...
- Entendo... Bem... Na segunda eu deposito na conta dela. Aquela que ela me deu da outra vez?
- Sim.
Silêncio.
- Acho que já tenho que ir. Quer carona?
- Não, eu pego um táxi, ligo para alguém...
- Tem certeza?
- Sem problemas.
- Boa noite, então.
- ‘Noite.
- Até a próxima!
- ‘Té!... Espera!
- Sim?
- Adoro pizza de Atum.
- Eu também. Deve ser de família.
Despedem-se.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Caneta Mágica

Época para quando
eu estivesse
sem inspiração

Pois vendada ando
Antes houvesse
mais munição

Clássicos dos anos 80
ao fim de tarde
De tanto que tenta
A ferida arde

A esperança a espera de esperar
O lance da laça que lança
A Pena que pena. Que Pena!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Para um grande poeta

Suas palavras são tão belas quanto
um sabiá a cantar
gripado.