Dentre todos, nenhum caso me intrigou tanto quando este: o caso “Né”.
Não entendia como, observava, especulava, analisava, nada. Ainda não chegara a conclusão alguma e eu estava totalmente envolvida nesse caso.
Sempre soubera que o uso do “né” consistia em pergunta retórica.Praticamente uma “Taq question” em inglês, mas não! Não dessa vez!
Colégio Galois Pré-vestibular; Brasília DF, Asa Sul.
6 de Fevereiro de 2008.
Era um dia chuvoso.
-Está chovendo lá fora.-Eu disse puxando papo.
-Né.
Né?Como assim “né”.Eu estava apenas começando a me adaptar ao que eu iria chamar de “vida em Bsb”, isso incluía novos hábitos, novos lugares, novas descobertas e novos seres estranhos que ainda não entendo.Mas nada tinha me preparado, para aquilo.
Os seres que usavam um dialeto próprio e controverso.
Fui a fundo na investigação. Em pouco tempo me deparei com as mais intrigantes formas de comunicação: saca; ta ligado; vei; mó; tipo assim; entre outros.
Eu suportaria, porém o “né” era deveras curioso para que o ignorasse. Eu não o esqueceria tão cedo.
Meus relatórios levam a crer que o termo em questão seria uma abreviação de “Não é!?”.
“-O céu é azul, não é?”
“-Flamenguistas são todos banguelas, né?”
Meu grupo de observação era diferente, comumente o usavam contra mim.
-Já são duas horas.
-Né.
O que eu poderia dizer? O que para mim era uma pergunta, lhes cabia uma resposta.Uma sensação me atormentava, uma espécie de leve tortura, como se algo estivesse aprisionado urrando desesperadamente por uma saída. Não me continha, sentia que deveria responder, a questão era “o que?”.
-Realmente é.
Logo vieram as tachações: estranha, bizarra...
Uma resposta não poderia ser respondida.E continuavam a usa-lo quase como um ritual.
-Né.-O diziam com olhos arregalados; levantando as sobrancelhas enquanto abriam a boca.Tudo perfeitamente sincronizado.
Mas aquilo, não era uma resposta; não para mim.Oh, dúvida!Decidi que continuaria investigando mesmo na ausência de pistas.
Enquanto estava focada no antígeno que atormentava, meu ajudante entra à sala com uma xícara de café quente.Às vezes, me perguntava se o mesmo era confiável; ainda sim, tomei a xícara em mãos.
-Nada como uma boa xícara de café quente.-Ele comentara.
-Né.
...
Caso encerrado.
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