segunda-feira, 12 de julho de 2010

Criaturas fantásticas e onde habitam

(Para um ser serzinho que conheci uma vez.)

Não sei se por entre as 'árveres', enfeitando jardins, ou debaixo de algum cogumelo por aí. Já estou à procura, faz um tempo. (Oh, coisinha chata há de ser o tempo!). Mas eu continuo procurando. (Oh, coisinha superendente há de ser a procura!).
Eu tenho certeza. Alguma vez por onde eu passei vi um serzinho de chapéu pontiagudo saltitante fazendo ‘arte’ e escondendo potes de ouro. (Oh, coisinhas discordiosas hão de ser os potes de ouro!).
Nesse mesmo dia a tal criaturinha parou e se aproximou... lentamente. Olhou para mim com olhos curiosos e sorriu. Depois, correu. Eu fui atrás. Tombei pelo caminho. Ela riu alto. (Oh, coisinha desastrada hei de ser eu!). Mas ali naquele lugar misterioso algo acontece, fui criando um misto de apego e curiosidade pela criaturinha. Até que íamos bem quando de súbito... abracadabra! E mais rápido que um puff, ela foge das minhas vistas.
Saudades daquela época em que eu gritava "Força no gorrinho" e ia direto ao final do arco-íris, dessa vez, não em busca de ouro, mas de uma companhia para todas as horas. (Oh, e que coisinha complicada hão de ser as inter-relações no mundo moderno, onde estar ‘conectado’ é fácil, mas estar ‘apegado’ é cada vez mais difícil!)
E por que eu continuo a busca? Porque dentro de uma cartola de problemas lá no fim ainda há quem me anime e me faça rir com todo seu ar serelepe de juventude mesclado com ar sereno de anos de experiência. (Oh, que coisinha instável há de ser a idade!)
“Se você acredita em duendes grite bem alto”.
Eu acredito!
Pode ser que algum dia eu passe num fim de tarde por debaixo de um arco-íris e, quem sabe, eu encontre novamente aquela criaturinha saltitante para que eu possa contar histórias sobre ela.
E como eu posso ter tanta certeza? (Oh, que coisinha mágica há de ser a amizade!)

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