Droga!
Não consigo dormir. Viro para um lado, viro para o outro...Nada!
Posso tentar contar carneirinhos. Um, dois, três...duzentos e vinte...
- Hei, você!
- Béh!?
- Você mesmo Como vai a vida?
- Béh.
- Nem me fale. O que faz acordado a essa hora?
- Béééh!
- Desculpe, estou com insônia. Se quiser ir, vá. A solidão é boa companheira.
- Béh?
- Não tenho nada para fazer amanhã. Nada importante pelo menos, apenas mais um dia na vida.
- Béh, béh, beh.
- Talvez. Amanhã pode ser O Dia. Poderei fazer coisas incríveis e impensáveis, a vida pode mudar, conseguir um emprego, ganhar uma viagem, encontrar meu grande amor, talvez eu morra amanhã...
- Béh!
- Nem eu. Quem quer ser aquele que dá a má noticia?
Silêncio.- 24 horas é muito pouco. Depende. Suficiente? Não é o bastante. Não, é o bastante. Queria estar em qualquer outro lugar. Amanhã vou respirar novos ares. É incrível como somos obrigados a respirar algo insípido como o ar. Se o ar tivesse gosto de chocolate a vida teria mais sabor. Acordaria com uma vontade louca de viver. (Nem todos gostam de chocolate). Para aonde vamos quando dormimos? De que são feitos os sonhos?
- Béh?
- Toda vez que durmo, mudo. O mundo continua girando. O movimento é ininterrupto. Temo o mundo que irei encontrar ao despertar, temo olhar-me ao espelho, temo cometer o erro de errar. Sim, errar é humano, recordar é viver, falar é fácil, tente gritar no escuro!
- Béh.
- Eu sei disso. Não sei não. Quando acho que já sei demais é porque não sei coisa alguma.
- Béh?
- A única exceção é os ombros que doem. Preciso dormir.
- Tudo vai ficar bem. – Disse-me o travesseiro.
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